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A INFLUÊNCIA EVANGÉLICA

A Revista Super Interessante, edição 197 de fevereiro de 2004, trata na sua reportagem de capa sobre o crescimento dos evangélicos no país. Se bem que ainda que o autor da reportagem tenha se detido a falar mais de um segmento dos evangélicos, o neopentecostalismo, contudo, em certo parágrafo ele fez uma colocação que deveria servir de reflexão crítica. Antes de tudo como pastor evangélico sei que uma boa parte da mídia em nosso país é preconceituosa com relação aos evangélicos. Não estou aqui elogiando ou deixando de elogiar a reportagem acima, apenas fiz uma reflexão crítica do conteúdo daquele parágrafo. Assim se expressa o autor: “Um indício de que a conversão ao mundo evangélico significa um arrefecimento do fervor religioso é o fato de que as neopentecostais exigem poucas mudanças nos fiéis. O resultado é que, quanto mais crescem, menos os evangélicos mudam a cara do país – bem ao contrário da revolução que ocorreu na Europa com as idéias de Lutero e Calvino.” Ora, talvez alguns evangélicos fiquem irados com o autor e, antes que partam para um apedrejamento ou caça as bruxas, peço que parem e tenham um momento de consciência crítica. Analisando este parágrafo penso duas coisas sobre esta colocação. Em primeiro lugar, sabemos que os evangélicos têm contribuído para as questões sociais. Há igrejas e entidades evangélicas que cumprem também seu mandato social. Poderíamos aqui citar creches, asilos, escolas, clínicas de desintoxicação, mutirão para construção de casas, etc. Há alguns anos uma das maiores revistas de circulação neste país publicou uma reportagem de capa também sobre os evangélicos no Brasil. Nela o autor cita algumas contribuições significativas dos evangélicos na educação, afirmando que o índice de analfabetismo entre os evangélicos é menor do que entre os não evangélicos. Apesar de toda essa contribuição, acho que ainda é o mínimo diante do grande potencial da Igreja Evangélica Brasileira. Nós podemos fazer mais. E vejo que a sociedade espera por isso. E parece que o autor também. Temos crescido muito nos últimos anos, porém, nossa contribuição ainda é tímida. Poucos evangélicos se engajam nas causas sociais. Temos que ter uma participação mais ativa na nossa sociedade. Há muitas causas esperando nossa contribuição: a questão ecológica, da violência, das drogas, dos menores abandonados, da reforma agrária, da saúde pública, da fome e da miséria, etc. Creio ser enorme a contribuição que podemos dar nestas questões.

Em segundo lugar, precisamos ser “sal e luz” como Jesus falou. Observe que o autor citou que as igrejas “neopentecostais exigem poucas mudanças nos fiéis.” Ainda que alguns não gostem do que foi falado, creio ser uma verdade. Há personalidades do meio artístico, político, esportivo que confessam ser evangélico, porém, suas vidas continuam a mesma. Artistas que antes de ser evangélicas posavam nuas e que depois de professar a fé evangélica continuaram posando para as revistas masculinas. Pergunto, onde está a mudança de estilo de vida? O evangelho exige conversão, mudança de rota, mudança de vida. E na política? Há políticos evangélicos e evangélicos políticos. Para mim, o político evangélico é aquele que é político antes de ser evangélico. O evangélico político é aquele que é evangélico antes de ser político. Ou seja, sua vida política é orientada pelos princípios do Evangelho. Nada fará para macular sua vida cristã. No entanto, temos visto escândalos envolvendo políticos evangélicos: nepotismo, fisiologismo, corrupção, “troca de favores”, “toma lá dá cá”, etc. Isto mancha a reputação evangélica. No meio esportivo, jogadores que ao fazerem um gol, dá glória a Deus, mas no minuto seguinte, xingam o juiz e o jogador adversário, jogam com deslealdade e por ai vai. Onde está a mudança? Não faz diferença alguma dentro de campo. Isto sem falar em alguns pastores que têm dado péssimo exemplo em nossa sociedade. Pastores que se envolvem com escândalos financeiros, que exploram a boa fé dos fiéis, que abrem igrejas como se fossem empresas. E por causa destes, todos nós pastores somos estigmatizados. (Para muita gente todo pastor é picareta, ladrão, vivendo nababescamente deitado num colchão de dinheiro. Eu sinto na pele este estigma. É errado se fazer generalizações. Por causa de alguns não se deve generalizar uma classe. Na sociedade há jornalistas, advogados, médicos, engenheiros picaretas, no entanto, não se generaliza. Ninguém diz que todos os jornalistas, advogados, médicos, engenheiros são picaretas. Por que com os pastores se generaliza? Há pastores - e digo - a maioria absoluta, que são homens de Deus e que vivem intensamente sua vocação religiosa.) Jesus disse que se o sal perde sua salinidade, “como lhe restaurar o sabor? para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens.” E vou mais além, alguns realmente mudaram pouco, outros, não mudaram nada. Precisamos voltar aos ideais da Reforma Protestante que realmente mudou a cara de muitos países na Europa. Porém, quero voltar a dois mil anos, e dizer que precisamos encarnar em nossa vida os ideais de Jesus Cristo. Então, poderemos mudar a cara do nosso país.

Pr. Belarmino Filho

 

 
 
 
 
 
 
                 
 

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