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ANO ELEITORAL: CUIDADO COM OS CANDIDATOS EVANGÉLICOS

"Irmão vota em irmão." Você já ouviu esta frase? Creio que sim. Ela é muito falada pelos candidatos evangélicos que pleiteiam uma cadeira no legislativo. Esta frase tenta induzir, a nós evangélicos, de que o correto, ou melhor, o lógico é que os crentes votem em candidatos que lhes representem. Como resultado dessa lógica não poucos candidatos evangélicos vão em busca dos votos dos irmãos. E, é bem verdade que, alguns conseguem se eleger com este voto da irmandade. Porém, é preciso avaliarmos bem esta questão. Não devemos interpretar esta frase como - alguns querem nos fazer crer - um princípio espiritual inviolável. Acreditem se quiser: mas há fiéis que chegam a crer que é pecado não votar num candidato crente. Eu sei que é necessário termos representantes evangélicos no parlamento. Porém, não qualquer um. Não basta dizer que é evangélico para ser merecedor do nosso voto. É importante ter vocação política. Muitos candidatos evangélicos não têm a mínima vocação para a política. Procuram se eleger prometendo benesses às igrejas evangélicas. Não apresentam um projeto político digno de merecer nossa atenção. Um político ele é eleito para cuidar dos interesses da sociedade como um todo, e não apenas das igrejas. Deve ser um representante delas, porém consciente de que são representantes do Reino de Deus. E este é maior do que as diversas igrejas e denominações evangélicas. Um político evangélico deve ser consciente de que é um agente de transformação histórica. E como tal, lutar pelo que é justo, legal e ético visando sempre o melhor para a sociedade como um todo. Certa vez ouvi um cabo eleitoral de um político evangélico dizer que seu candidato prometia, caso fosse eleito, comprar um carro de som para evangelizar no sertão. Pergunto: isto é projeto político? Em nenhum momento aquele cabo eleitoral apresentou algo que me convencesse de votar no seu candidato. Outra feita li que um candidato evangélico, quando perguntado por um repórter qual o seu projeto para o problema do déficit habitacional no seu estado, respondeu: "Na casa do meu Pai há muitas moradas" numa referência a uma citação de Jesus no Evangelho de João. Isto é um absurdo. Este político perdeu a grande oportunidade de ficar calado. Este tipo de comportamento escandaliza. Outros candidatos evangélicos saem pelas igrejas prometendo ajuda: alguns tijolos para ajudar na construção do templo; uns trocadinhos para ajudar no acampamento dos jovens; consegui ônibus gratuitamente para passeios e intercâmbios entre igrejas; emprego a pastores e líderes que lhes apoiarem; gambiarras para concentrações evangelísticas; etc. Isto é vergonhoso. Além disso, há os que não tem preparo nenhum para a política. Quando eu fazia meu curso de teologia, eu estudei com um seminarista que foi candidato a vereador de um grande município em nosso estado. Um dia numa questão de prova ele veio perguntar-me o que significava algumas siglas como INPS, OMS, ONU, e outras. Eu lhe disse: Como você pode ser candidato a vereador se desconhece as siglas mais importantes? Ele ficou emudecido. Graças a Deus para o bem do município e da Igreja Evangélica, até onde sei, ele não foi eleito. Há também os que se elegendo escandalizam. Vez ou outra estamos presenciando na mídia conchavos envolvendo políticos evangélicos. Candidatos que não apóiam projetos de acordo com a sua consciência cristã, mas com o que podem ganhar com o seu apoio. Alguns trocam seu voto pelas "bênçãos" do sistema. É por essas e outras que não devemos cair no conto do "irmão vota em irmão". Devemos avaliar as propostas do candidato. Devemos ver se o mesmo já é engajado nas questões políticas ou é apenas um oportunista ludibriando a boa fé dos evangélicos.

Pr. Belarmino

 
 
 
 
 
 
 
                 
 

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