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IGNORÂNCIA E PRECONCEITO
Outro dia um membro
de nossa igreja me falou: "Pastor, um irmão da igreja...(não citarei
o nome da igreja por questão ética) disse que a nossa igreja pega
o lixo da cidade." Ora, a pessoa que se expressou assim demonstra
duas coisas: Primeira, ignorância da Pessoa e Obra de Cristo. Quando
Jesus exerceu o ministério terreno Ele não andava entre os líderes
religiosos, fariseus e escribas, mas entre os marginalizados da sociedade.
Ele andava exatamente entre os excluídos da religião instituída; aqueles
que eram considerados pelos religiosos como "lixo" da humanidade.
E Jesus justificou muito bem o seu procedimento, quando criticado
pelos santarrões de sua época, dizendo que "os sãos não precisam de
médico, e sim, os doentes. Porque não vim chamar justos, e sim pecadores."
Os "justos" aqui são aqueles que se consideravam justos aos seus próprios
olhos. Atitude que Jesus censurava contundentemente. Em outra ocasião,
ao ser novamente criticado porque publicanos e pecadores se aproximavam
dele, pronunciou três parábolas: a da ovelha perdida, da moeda perdida
e do filho pródigo (Lc. 15). Estas parábolas cujo tema central é o
amor de Deus pelos pecadores nos revela três verdades: algo se perdeu,
houve um busca intensa e a alegria de haver encontrado o objeto perdido.
Tanto a ovelha, como a moeda e o filho pródigo representam as pessoas
que se afastaram de Deus, que se perderam e estão por aí, mas que
são alvos do amor de Deus que busca e, quando encontra, celebra este
momento. Jesus com isto respondeu aos seus opositores, revelando assim
seu amor por aqueles excluídos (que se perderam) da comunidade. A
segunda coisa que o referido irmão demonstrou com suas palavras foi
preconceito, algo que Jesus combateu com suas palavras e atitudes.
Os líderes religiosos daquela época eram cheios de justiça própria,
como falamos anteriormente. Achavam-se mais santos, mais dignos e
mais justos que os não- religiosos ou religiosos de outros grupos.
Por isso, eles discriminavam aqueles. Jesus, ao contrario, sentava
e comia com publicanos (classe odiada pelos judeus) e pecadores. Certa
vez, deixou que uma mulher de má fama lavasse seus pés com lágrimas
(Lc 7). Em outra ocasião, sentou-se a beira de um poço e conversou
com uma mulher fracassada nos seus relacionamentos conjugais (Jo 4).
Quando os santarrões tentaram apedrejar uma mulher acusada de adultério,
Jesus interveio, falando a consciência dos acusadores, acolhendo e
perdoando a mulher, dando-lhe uma nova oportunidade de acertar (Jo
8). Jesus aborrecia o pecado, contudo, amava o pecador. Ele acolhia
os rejeitados, discriminados, marginalizados, ou, como na linguagem
do irmão citado no início, o "lixo" da cidade. Agora pergunto: De
que lado você acha que esse irmão estaria se tivesse vivido na época
de Jesus? Nem precisamos fazer um esforço descomunal para sabermos
de que lado ele estaria. Do mesmo lado de Jesus seria impossível.
Para finalizar, o irmão, mesmo sem o saber, e aqui está a ironia,
ele nos elogiou. Sim; pois ressaltou que nós estamos seguindo os passos
de Jesus, como demonstrei anteriormente. Queremos ser uma comunidade
amigável e acolhedora assim como Jesus nos ensinou. Uma comunidade
onde as pessoas, consideradas por aquele irmão como "lixo", tenham
liberdade de entrar, encontrando um espaço onde se sintam amadas e
acolhidas, sejam alcançadas pela graça do Senhor Jesus, repensem sua
história de vida e sejam transformadas pelo poder do Espírito Santo.
E a Deus toda glória."
Pr. Belarmino
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