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OFERTA DE QUALIDADE
GÊNESIS 4.1-7 Dois indivíduos trouxeram suas ofertas diante do Senhor. Ambos ofereceram do fruto do seu trabalho. Abel, pastor de ovelhas, ofereceu um sacrifício de sangue. Caim, lavrador, ofereceu frutos da colheita. Eles estavam prestando um culto ao Deus criador. Mas algo aconteceu. Deus se agradou de Abel e de sua oferta. Ou seja, Ele recebeu o culto oferecido por Abel. A oferta deste foi como “cheiro suave e sacrifício agradável e aprazível a Deus”. Ele aspirou e gostou. Porém Deus rejeitou Caim e a sua oferta. Não aceitou o culto oferecido por ele. E por quê? Uma lida rápida e desatenta no texto nada parece indicar uma razão óbvia. Soa até como arbitrariedade da parte de Deus. Contudo, ao examinarmos cuidadosamente, veremos alguns indícios que nos revelam a razão de Deus não se ter agradado da oferta de Caim. Além disso, o estudo de outras passagens bíblicas nos esclarecem ainda mais o fato ocorrido. A primeira coisa que precisamos ter em mente é que Deus vê o coração. Nós atentamos mais para a aparência das pessoas. E nunca a aparência foi tão determinante para os relacionamentos e negócios como nos dias atuais. Certa vez, eu e um amigo entramos num banco para obter informações sobre a possibilidade de abrir uma conta naquela instituição. Como me encontrava de férias, estava vestido bem à vontade: calça jeans desbotada, tênis, camiseta de manga, boné e, barbudo. Ao me dirigir ao balcão de informações fui tratado com certa aspereza pelo funcionário. Saí dali dizendo ao meu amigo que o banco havia perdido um cliente em potencial, pois as exigências, que tão asperamente haviam sido colocadas para abertura de uma conta, eu as preenchia de sobra. Fui tratado de acordo com a minha aparência. Com certeza se alguém chegasse de roupa de grife e com uma pasta de executivo na mão seria bem atendido, muito embora pudesse ser um picareta ou um assaltante sondando o ambiente para depois efetuar um assalto. Com Deus é diferente. Ele olha para dentro do homem. Ele vai além da enganosa aparência. E temos na Bíblia um exemplo disto. Quando o profeta Samuel foi ungir um rei para substituir Saul, ele procurou na aparência. Diz assim 1 Sm 16.6: “Quando chegaram, Samuel viu Eliabe e pensou: ‘Com certeza é este que o Senhor quer ungir.’” Deus, então, corrigiu o profeta. Mostrou que não se impressionasse com a aparência. Diz o verso seguinte: “o Senhor, contudo, disse a Samuel: ‘Não considere sua aparência nem sua altura, pois eu o rejeitei. O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração.’”(7) Voltando ao texto de Gênesis, Deus olhou para além da aparência dos ofertantes e suas ofertas. Deus olhou o coração de ambos. Deus viu que o coração de Caim não era reto diante dEle. E isto fica evidenciado nas atitudes posteriores de Caim. Ele se irou e matou o seu irmão, não simplesmente porque Deus havia rejeitado sua oferta, mas porque o seu coração já era inclinado para o mal. O versículo 4.7 confirma isto no conselho que Deus lhe dá para que sua oferta seja aceita. “Se você fizer o bem, não será aceito? Mas se não o fizer, saiba que o pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo.” O apóstolo João milhares de anos depois escreveu: “Não sejamos como Caim, que pertencia ao Maligno e matou seu irmão. E por que o matou? Porque suas obras eram más e as de seu irmão eram justas.”(IJo 3.12). Por isso, a oferta de Caim não podia agradar a Deus. Não havia inteireza de coração diante de Deus. Além disso, o sábio diz em Provérbios que “o sacrifício dos ímpios já por si só é detestável; tanto mais quando oferecido com más intenções.”(21.27). No coração de Caim havia más intenções. E no terreno das intenções e motivações do coração só quem pode julgar é Deus, pois somente Ele vê o oculto, os bastidores da nossa vida. A segunda coisa que podemos perceber no texto é a qualidade do que foi oferecido a Deus. Eram duas ofertas: uma de sangue e outra de frutos. Alguns pensam que Deus aceitou a oferta de Abel porque esta foi de sacrifício de sangue e a de Caim não. Porém esta não é a questão. E por duas razões: a primeira é que o sistema levítico, ou seja, as leis que regulamentavam o sacrifício de animais ainda não haviam sido dadas. A segunda razão é que frutos da terra também eram ofertas legítimas ao Senhor. Como lavrador, Caim apresentou os frutos. Deus não iria exigir dele um sacrifício de sangue porque seu ofício não era pastor de ovelhas, como o seu irmão. Deus não exige de nós nada que Ele mesmo não nos capacite a dar ou fazer. Portanto, a oferta dos frutos da terra era algo que Deus aceitava. Contudo, podemos observar um pequeno detalhe nas ofertas e que fez toda a diferença. Leiamos com atenção os versos a seguir: “Aconteceu que no fim de uns tempos trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho, e da gordura deste.” (grifo nosso). Perceberam a diferença. Abel ofereceu o melhor. A sua oferta foi das primeiras crias do seu rebanho. Ele teve o cuidado de ofertar o melhor que tinha para Deus. Enquanto Caim ajuntou uma porção de frutos e os ofereceu ao Senhor. Duas versões bíblicas traduzem bem esta idéia. A Bíblia Viva registra assim: “...Caim juntou alguns produtos da terra e com eles fez uma oferta a Deus.” E a Nova Tradução na Linguagem de Hoje traduz: “Um dia Caim pegou alguns produtos da terra e os ofereceu a Deus.” Caim não ofereceu o melhor. Não basta ofertar, temos que dar o melhor a Deus. Caim não teve o cuidado de separar os primeiros e melhores frutos da colheita. Apenas ajuntou alguns e os ofereceu a Deus. Para Caim o ritual era mais importante do que o coração. Muitas vezes caímos no erro de Caim, achando que basta cumprir os ritos da religião e pronto, Deus ficará satisfeito. Desta forma vamos oferecendo a Deus o resto da nossa força, do nosso tempo, dos nossos bens, e por aí vai. O pensamento não expresso é: “O melhor da minha vida é para mim, para os meus familiares e para o meu trabalho ou estudo. Se sobrar alguma coisa é para Deus.” E com tal pensamento vamos à igreja dominicalmente, cantamos louvores, participamos do ofertório, ouvimos a pregação e oramos um pouco. E pensamos: “Basta! Já cumprir com minha devoção. Já prestei o meu culto. Já entreguei as minhas ofertas. Já ouvi o sermão. Deus deve estar satisfeito comigo.” Todos os rituais foram feitos; não resta dúvida. Mas, e a qualidade do culto? Estamos oferecendo o melhor de nós a Deus em nossos cultos? Pense bem. Você pode enganar o mundo inteiro, menos a Deus. Uma última coisa a destacar é que a oferta de Abel foi um ato de fé. O autor de Hebreus diz que “pela fé Abel ofereceu a Deus um sacrifício superior ao de Caim...”(11.4). A oferta de Abel foi mais excelente por causa da sua fé. As nossas obras ou rituais não têm valor algum se não forem feitas pela fé. “Sem fé é impossível agradar a Deus.”(Hb 11.6) Fazer pela fé significa que reconhecemos a nossa dependência de Deus para tudo nessa vida. “Sem mim nada podeis fazer”, disse Jesus. Fé também não é apenas ter a crença certa em Deus, mas a atitude certa para com Ele. Quando Abel ofertou o melhor, ele o fez pela fé. Ele cria que um Deus santo, justo e bom merecia o melhor dele. E assim de conformidade com sua fé agiu, oferecendo a Deus “das primícias do seus rebanho.” Deus aceitou a oferta de Abel porque já havia aceitado o próprio Abel como adorador. É pela fé que Deus nos aceita. Como está escrito: “Agora que fomos aceitos por Deus pela nossa fé nele...”(Rm 5.1-NTLH). E uma vez que Deus nos aceitou, tudo o que fizermos na vida deve ser feito numa atitude de fé. “Porque vivemos por fé”, diz o apóstolo Paulo. É pela fé que devemos oferecer o melhor do nosso tempo, dos nossos bens, da nossa força, enfim, a nossa vida. Não nos esqueçamos de que “o justo viverá pela fé.” Meditemos, pois, na qualidade do nosso culto. Pr. José Belarmino filho |
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